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domingo, 20 de maio de 2007

A maior das carências ministeriais



Pessoas que cuidem de pessoas

Quando Deus decidiu que havia chegado o momento para libertar o povo de Israel e lhe conceder o Seu gracioso cuidado, Ele levantou uma pessoa: Moisés.

E por meio de pessoas é que o Senhor continuou providenciando orientação, condução e realização de conquistas que vinham ao encontro das necessidades do povo recém-liberto. Depois de Moisés, como bem sabemos o Senhor levantou Josué, o qual foi sucedido pelos chamados Juízes.

Infelizmente, ainda no período dos Juízes, depois daqueles ciclos constantes de prosperidade, infidelidade, castigo, arrependimento, clamor, libertação,... prosperidade, infidelidade, castigo...; o povo chega a um momento histórico crítico que é descrito da seguinte forma: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto”. (Jz 21.25)

O que estava faltando a Israel? Pessoas que, sob a direção de Deus, pudessem, realmente, orientar, conduzir e levar o povo às realizações de conquistas nacionais para a glória de Deus e para o seu próprio bem. A maior das carências ministeriais estava evidente: pessoas que cuidem de pessoas, conforme os padrões e orientações de Deus.

O sábio já havia advertido: “Não havendo profecia, o povo se corrompe” (Pv 29.18a). Não havendo quem o oriente, quem o dirija na Palavra de Deus, e o leve a ser o povo que preenche as expectativas de Deus, então, a conseqüência é o desvio e corrupção.

Em Israel havia três classes de pessoas que deveriam cuidar das pessoas: os reis, os profetas e os sacerdotes. Quando estes líderes não exerciam os seus ministérios coerentemente com a vontade de Deus e a necessidade do povo, fosse de ensino, repreensão, condução, e outras ações mais, eles mesmos se colocavam numa situação que gerava as seguintes duras palavras da parte de Deus: “Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo”. (Jr 34.1-5)

Hoje, como em todas as outras épocas, há uma grande necessidade que se levantem homens e mulheres que, atendendo ao chamado de Deus, se ponham na condição de pastores que cuidem de pessoas, alimentando-as com a Palavra de Deus, conduzindo-as com sabedoria e entendimento espirituais e levando-as a serem aquelas pessoas que, de fato, vivem para o louvor da glória de Deus, cumprindo todos os propósitos do Senhor e vivendo para o Seu inteiro agrado.

A Deus toda a Glória!

domingo, 15 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Formação De Novas Lideranças

O Evangelho de Mateus nos traz o seguinte registro:

"E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara". (Mateus 9.35-38)

Esta orientação continua válida para os dias de hoje. A necessidade é a mesma. Mudou-se os componentes que formam a multidão, mas ela continua necessitada, e o campo de trabalho sempre demandará uma quantidade de trabalhadores maior que os disponíveis. A igreja precisa de mais trabalhadores e de mais líderes. Porém, ela precisa de líderes que tenham o caráter semelhante ao de Jesus, que façam o trabalho da mesma forma como Jesus e que sigam o mesmo tipo de motivação: cuidar das pessoas por amor às pessoas.

O líder cristão ideal não é o que usa suas habilidades de liderança para fazer outros alcançarem os seus próprios interesses ou os da instituição que representa, mas é aquele que se dispõe a ajudar outros a desenvolverem seus potenciais para o benefício da coletividade e para a glória e honra de Deus.

Os líderes de igrejas que crescem concentram os seus esforços em capacitar outras pessoas para o ministério. Eles não usam os seus colaboradores como “ajudantes” para alcançar os seus próprios objetivos e implantar a sua visão. Pelo contrário, a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Eles capacitam, apóiam, motivam, acompanham a todos, direta ou indiretamente por meio de outros líderes, para que os cristãos se tornem aquilo que Deus tem em mente. Se observarmos esse processo mais detalhadamente, veremos que aqui são estimuladas capacidades orientadas tanto para objetivos quanto para relacionamentos.

Estes líderes precisam ter a visão de que o reino de Deus não é formado de estrelas, mas de pequenos focos de luz que iluminam este mundo. A comunidade é que precisa brilhar a glória de Deus através do amor, justiça e santidade que são evidenciados nos relacionamentos de uns para com os outros, e de todos estes para com a sociedade dentro da qual está inserida.

Há uma urgência inegável quanto à necessidade da formação de mais líderes, no entanto, na busca de cobrir a demanda, deve-se preservar o cuidado quanto ao tipo de lideranças que se tem produzido através dos populares seminários, congressos e cursos que visam este fim. A igreja não precisa de técnicos de igreja, por mais hábeis que sejam. Ela necessita desesperadamente de homens de Deus que sabem o que realmente significa orar; passar tempo em reflexão com a Palavra de Deus; tratar as pessoas como gente; liderar em amor, tendo numa mão a Bíblia, e na outra, uma bacia e uma toalha. Tais líderes poderão servir como modelo de uma nova safra de fiéis mordomos que honrarão o tipo de liderança vivenciada e requerida por Jesus.

sábado, 14 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Discipulado Relacional

LeRoy Eims, no seu livro A Arte Perdida de Fazer Discípulos, trás um alerta sobre o estado atual de muitas igrejas cristãs, as quais não conseguem cumprir a Grande Comissão delegada por Jesus, pela inabilidade de fazer discípulos: "Jesus veio a este mundo com o fim de morrer, e em sua jornada para a cruz dedicou sua vida na formação de alguns discípulos, os quais foram comissionados a proceder da mesma maneira, para que, pelo processo de reprodução, o Evangelho do Reino alcançasse os confins da terra (...) Lamentavelmente, poucos entendem o que isso significa, especialmente quando diz respeito ao seu viver diário. Muitas pessoas em posição de liderança na Igreja não têm a menor idéia do que seja ensinar alguém a observar e a guardar tudo o que Jesus ordenou. Nesse sentido, não causa surpresa o que acontece com tantos crentes que não conseguem ir muito longe em sua peregrinação de fé; tampouco aprendem a desenvolver o potencial de seu ministério".

O problema é que os investimentos de muitas igrejas não estão sendo direcionados para os relacionamentos entre as pessoas, mas para a manutenção da máquina institucional. Muitos líderes, de forma consciente ou não, estão mais preocupados em promover eventos que lance o seu ministério e sua denominação no mercado religioso popular. Para alcançar tal fim, não se economiza tempo nem dinheiro para participar de congressos que vão ensinar algo do tipo: “Como fazer sua igreja crescer”. Enquanto isto, o velho, eficaz, mas custoso método de Jesus é trocado por novas modas e técnicas impulsionadas por Marketing, e que funciona num contexto de muita agitação com mega-eventos de final de semana. O resultado é uma igreja que parece crescer, mas se revela frágil, sem força e incapaz de provocar profundas mudanças na sociedade dos dias atuais.

Os métodos mudaram, a eficácia também. Jesus investiu tempo e energia em relacionamentos com um grupo de homens, passava o seu tempo ensinando as pessoas pelo caminho, à beira-mar, dentro de casas e nas sinagogas, enquanto ia ministrando sinais e curas para aliviar o povo do sofrimento de doenças, enfermidades e opressões espirituais. A agenda de Jesus era preenchida com visitas, conversas, sermões e curas, numa intensa interação com o povo.

Hoje, o discipulado relacional deu lugar a uma aula semanal, uma reunião de oração no meio da semana e um culto dominical. A ênfase passou a ser o repasse de informações que é feito usando os mais modernos instrumentos de ensino. Pregar bons sermões se tornou a principal responsabilidade dos líderes, seguida da organização de reuniões, nas quais uns poucos treinados falam, e o resto do povo escuta, num contexto de pouca interação, nenhuma transparência e rasos relacionamentos. Parece exagero? Infelizmente é o exato quadro da grande maioria das igrejas na presente geração.

Faz-se necessário resgatar o tão conhecido modelo de fazer discípulos de Jesus. O problema é que este tipo de discipulado traz consigo o custo de muito tempo, energia e recursos que devem ser investidos na formação do caráter das pessoas em quem se quer ver a vontade de Deus sendo vivida. Foi precisamente isto que o apóstolo Paulo fez com Timóteo: “Tu, porém, tens seguido de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança.” (II Timóteo 3.10) e com os cristãos de Filipos: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco” (Filipenses 4.9). Em ambos os textos, Paulo coloca-se como referencial e modelo de vida para com aqueles cristãos. A Timóteo, ele diz: “tens seguido de perto”; aos filipenses, os chama a agirem com base naquilo que haviam visto na sua própria vida. Paulo não era do tipo que ensinava de púlpito ou numa sala de aula, para logo depois se recolher sem dar a menor chance de outros conferirem na sua vida o que ele tão ardorosamente havia exposto publicamente. Sem dúvida, dotado com a mente judaica que lhe era própria, Paulo sabia que o ensino verbalizado só seria completo se acompanhado de um modelo vivido que o exemplificasse.

Enquanto os líderes da igreja de hoje não se comprometerem em resgatar, na prática, o tipo de discipulado que se pode verificar em Jesus e em Paulo, há poucas esperanças de uma mudança significativa no estado espiritual da igreja contemporânea.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Evangelismo Por Amizade

As igrejas cristãs têm experimentado, na prática, a realidade de que o evangelismo mais eficaz é o que se desenvolve através de relacionamentos sinceros e saudáveis. Pode-se fazer grandes eventos de evangelismo em massa para iniciar algum processo de conversão na vida de pessoas; mas se estas mesmas pessoas não usufruírem de um envolvimento próximo com verdadeiros cristãos, elas podem até “se converter”, mas dificilmente vão sobreviver, pois identificarão o cristianismo como uma religião que acontece à base de encontros impessoais onde muita informação é dada, e não como um movimento de Deus que ocorre através de vidas que experimentam o evangelho de maneira poderosa no cotidiano normal.

Nas últimas décadas, as comunidades cristãs têm lançado mão de muitos instrumentos evangelísticos: campanhas em massa, trabalho de porta em porta, cursos em sala de aula, cursos por correspondência, pregações ao ar livre e muito mais. Todo investimento é válido se uma só alma puder ser levada ao Reino eterno de nosso Senhor Jesus. Mas até hoje, não se vê “método” mais poderoso e de tão longo alcance, quanto o evangelismo que acontece de maneira relacional e pessoal, onde o evangelizado é tratado como alguém singular e especial, com necessidades, dores e problemas específicos, e com histórico familiar bem particular.

A visão de evangelismo precisa ser mudada. A atitude não verbalizada com que muitos evangelizam, é expressa na seguinte pergunta: “Como posso convencer aquela pessoa a acreditar no que estou dizendo, com base na Bíblia (claro), e levá-la a Cristo e a participar da Igreja?”. A atitude correta deveria ser: “Como posso amar esta pessoa ao ponto dela se sentir amada por Jesus e ser atraída por Ele e pela Sua Comunidade?”.
Note que a primeira pergunta enfatiza o mero ensino e repasse de informações bíblicas; enquanto que a segunda acentua a necessidade de um relacionamento de amor, que com certeza incluirá o ensino verbal da vontade de Deus. A igreja contemporânea precisa estar convicta de que a melhor maneira, e a mais eficaz, de levar pessoas a Cristo é através do amor dedicado às pessoas ainda não-cristãs e a demonstração de amor entre os próprios cristãos. Este foi o método experimentado e ensinado por Jesus. Não foi à toa que Jesus orou ao Pai com as seguintes palavras:

Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. (João 17.20-23)

O texto acima, riquíssimo em conteúdo, deixa bastante claro a essencialidade de relacionamentos construídos, em amor, sobre o alicerce da relação de Deus com o seu próprio Filho, Jesus Cristo. O objetivo é expressamente indicado por Jesus: “para que o mundo creia que tu me enviaste” e “para que o mundo conheça que tu me enviaste”. Em outras palavras, o mundo dará crédito à mensagem do evangelho, na medida que seus proclamadores demonstrarem, entre si, o mesmo tipo de amor do Deus que anunciam. Ray Stedman, citado pelo TOUCH, alerta:

A igreja primitiva se valia de um duplo testemunho como meio de alcançar e impressionar um mundo cínico e incrédulo: Kerygma (proclamação) e Koinonia (comunhão). Era a combinação destes dois testemunhos que tornou o testemunho da igreja tão poderoso e eficiente. A igreja atual tem conseguido se livrar da koinonia quase que por completo, reduzindo o testemunho à proclamação (kerygma). Porém, ela tem sido bem-sucedida em fazer duas coisas simultaneamente:

> Remover a maior garantia de segurança para a saúde da igreja de dentro
> Enfraquecer grandemente seu testemunho efetivo diante do mundo lá fora

Não é de se estranhar, portanto, que a igreja tenha decaído em dias terríveis e é taxada por muitos no mundo como irrelevante e sem qualquer utilidade. O que nos falta terrivelmente é a experiência da ‘vida no corpo’; aquela comunhão aconchegante de cristãos com cristãos que o Novo Testamento chama de koinonia e que era algo essencial no cristianismo primitivo. O Novo Testamento coloca uma ênfase substancial sobre a necessidade que os cristãos têm de conhecer uns aos outros, intimamente o bastante para poderem carregar os fardos uns dos outros, confessar pecados uns aos outros, repreender, exortar e admoestar uns aos outros, ministrar uns aos outros com a palavra, pelos cânticos e pela oração, a fim de compreender com todos os santos, como diz Paulo, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento (Efésios 3.18,19). No cristianismo primitivo um tipo de ritmo era evidente quando os cristãos se reuniam em casas para instruir uns aos outros, estudar e orar juntos e compartilhar o ministério dos dons espirituais. Então eles voltavam ao mundo para deixar que o calor e o brilho de suas vidas cheias de amor transbordassem em testemunho cristão espontâneo, que atraía os incrédulos famintos de amor da mesma maneira que uma confeitaria atrai pequenas crianças”.

Hoje em dia, não há como esperar que as pessoas dêem todo crédito à mensagem do evangelho do amor de Deus, se elas não conseguem ver este amor na vida dos que o proclamam. Na verdade, as pessoas estão cansadas de serem utilizadas como instrumentos de manobra política e religiosa. Com razão, qualquer aproximação com fins proselitistas é alvo de suspeitas. Daí a necessidade da igreja mudar a sua forma de abordagem, isto é, discursar menos e amar, na prática, mais. Faz-se necessário que a comunidade de cristãos antecipe a prédica com a prática, tocando as pessoas com real atenção, carinho e compaixão, enquanto ganha o direito de ser ouvida, tornando-se, conseqüentemente, convidativa. As pessoas serão mais atraídas pela presença do amor visível do que pela fria ortodoxia, por mais legítima que seja.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Visitação Entre Os Membros

O institucionalismo da religião cristã tem provocado uma relação muito superficial entre os membros de igrejas. As pessoas passaram a viver um cristianismo de reuniões impessoais, centralizadas na figura de um sacerdote, seja católico ou protestante, e onde há pouco espaço para relacionamentos profundos. Na visão de Ralph Neighbour:
Os primeiros cristãos se organizaram imediatamente em “grupos caseiros”, de 10-15 pessoas. Eles não usaram construções especiais para os seus encontros. Em vez disso, foram de casa em casa, compartilhando a sua comida e encorajando uns aos outros. Eles eram sensíveis às necessidades uns dos outros. Com o passar dos séculos, o povo de Deus deixou de ser uma família para ser uma organização. A igreja se tornou uma instituição. Levou alguns séculos, mas aos poucos a vida da família do povo de Deus foi substituída por diversos encontros em edifícios formais chamados de “igrejas”.

Devido ao impessoalismo que se instalou na cultura cristã, muitos nunca experimentaram viver o tipo de comunidade que Deus idealizou e que deixou exemplificada nas páginas do Novo Testamento. Durante a semana inteira, cristãos correm de um lado para outro, ocupados com trabalho, faculdade, atividades de lazer e viagens, limitando seu tempo “religioso” à meras duas horas de cada Domingo. Tal pessoa está fadada a uma vida essencialmente materialista e egoísta, sem qualquer relacionamento significativo que lhe proporcione viver o que a Bíblia chama de Reino de Deus.
Daí a importância de se procurar fazer parte de um grupo pequeno de discípulos de Jesus, com os quais se possa interagir e desenvolver um nível de convivência que possibilite o cumprimento do “uns aos outros”, tão necessário para o crescimento espiritual de cada cristão.
Nesta interatividade, não basta reunir, é necessário visitar uns aos outros e compartilhar momentos extra-reuniões. A visitação nas casas é absolutamente importante, pois proporciona um ambiente familiar que facilita a intimidade e profundidade relacional. É no momento destas visitas, que há espaço para confidências, transparência e desenvolvimento de conversas que vão ao encontro de solucionar problemas que dificilmente seriam expostos numa reunião com muitas pessoas.
Geralmente, visita em casas é algo que se espera do pastor da igreja, já que se acredita que este é o papel dele. No entanto, todos os membros do grupo precisam assumir a responsabilidade de cuidado mútuo. O apóstolo Paulo descreve a igreja como sendo o corpo de Cristo, formada de pessoas que se tornam membros uns dos outros.

Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito (...) De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. (I Coríntios 12.12,13,26,27)

Para que este cuidado se concretize, faz-se necessário proximidade e intimidade, o que só é possível se houver disposição em ir ao encontro das pessoas com suas necessidades onde elas estão, e onde se sentirão mais à vontade em se abrirem. Desta forma, cada cristão será devidamente cuidado e não se tornará em apenas mais um número estatístico de igreja.

Quando uma congregação entra em crescimento, requer-se estratégias que ajudem não só a manter a igreja, mas também contribuam para que cada membro conserve sua identidade, uma vez que o grande risco a que se expõe a membresia, é que cada um seja apenas mais um ponto num conglomerado.

O trabalho de visitação constante entre os membros dos diversos grupos da igreja produzirá saúde espiritual em qualquer comunidade de cristãos, porque todos se sentirão apoiados, cuidados e valorizados.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Priorização Nas Relações Familiares

Uma vida de apego às Escrituras e de oração são fundamentais na formação de um caráter equilibrado que sirva como base na estrutura de um lar saudável, o que precisa ser encarado como uma das prioridades máximas de qualquer pessoa. Quando as relações familiares não estão bem, tudo o mais perde a devida estabilidade. E mesmo que se obtenha alguma forma de sucesso nas áreas profissionais, esportivas ou sociais, nenhuma delas compensará o fracasso na família.
O princípio de priorização familiar é bastante enfatizado nas Escrituras Sagradas, ao ponto do apóstolo Paulo ensinar que um líder na igreja só pode exercer seu ministério, caso “governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (I Timóteo 3.4,5). Desta forma, evita-se a triste incoerência fortemente denunciada por Spurgeon:

Devemos ser os melhores pais. Lástima! Alguns ministros que conheço estão longe disto pois, com referência às suas famílias, guardam bem as vinhas alheias, porém não guardam bem as suas. Seus filhos são negligenciados e não crescem como semente santa.

Quanto aos cuidados que os filhos e netos de uma família precisam dispensar à mãe ou avó viúva, Paulo diz: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (I Timóteo 5.8). O contexto ao qual Paulo se refere acima é de assistência física à viúvas, mas o princípio que ele expõe pode ser aplicado perfeitamente quanto à outras necessidades, sejam emocionais ou espirituais. Não há como ter uma conclusão diferente: Se um cristão não cuida do próprio lar, buscando suprir as necessidades familiares nas mais diversas áreas, ele está negando a fé e é pior do que o descrente. O cuidado familiar deve ser prioritário.
Na medida que esta prioridade vai além de conceitos e discursos, as famílias são fortalecidas e, conseqüentemente, a igreja é devidamente consolidada; pois, pessoas que nutrem saudáveis relacionamentos em casa, têm condições de desenvolver bons relacionamentos em outros grupos sociais maiores, como a igreja.

terça-feira, 10 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA



Oração Pessoal E Comunitária Constante

Orar é muito mais que falar com Deus, é experimentá-lo, senti-lo, é estar com ele, é se tornar um com ele, quando o espírito do homem se envolve com o Espírito dele numa relação de amor e entrega. Kivitz entendia o mesmo, quando escreveu: “Orar é penetrar em Deus, não para falar coisas para ele, mas para simplesmente experimentá-lo, em silêncio e afetivamente”. E nesta relação de entrega ao Criador, o ser humano passa a ter sua natureza restaurada à imagem e semelhança de Deus. Na medida que o homem se torna mais parecido com Deus, ele passa a pensar e agir conforme aquela imagem. Ora, sendo Deus justo, puro e amoroso, quem com Ele se parece agirá com justiça, pureza e amor em relação às outras pessoas. Para se ter bons relacionamentos na igreja, é necessário ter um bom relacionamento com Deus através da oração. É em Deus que o cristão recebe força para se conduzir em meio aos desafios do devido cultivo de relacionamentos com outros cristãos.
O próprio Jesus, para ter equilíbrio nas suas relações com os seres humanos, precisou desenvolver uma vida de oração eficaz. Logo após Seu batismo, Jesus ficou 40 dias em jejum no deserto, consagrando-se para o início do Seu ministério; e era comum para o judeu associar jejum e oração (Mt 4.1,2; 17.21). Antes de escolher Seus discípulos, passou a noite orando (Lc 6.12,13), e quando durante o dia havia muito trabalho, se levantava de madrugada para orar ao Pai, o que para Ele era inegociável (Mc 1.35-39). Consegue-se entender que a força que Jesus tinha para continuar sendo quem era, e fazer o que deveria ser feito, encontrava-se no Pai, a quem Ele buscava intensamente, em oração. Pelo orar, Jesus mantinha-se totalmente alinhado aos propósitos e vontade de Deus. E assim deve ser com os cristãos. Não há como negar a essencialidade da oração na vida de todo e qualquer discípulo de Jesus, objetivando também o mesmo alinhamento. Como disse Foster: “Na oração, na verdadeira oração, começamos a pensar os pensamentos de Deus à sua maneira: desejamos as coisas que ele deseja, amamos as coisas que ele ama. Progressivamente, aprendemos a ver as coisas da perspectiva divina”.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

FATORES PARA A SAÚDE DA IGREJA

Mesmo já tendo sido bastante usado, o jargão “colhe-se o que se planta” cabe perfeitamente aqui. A vida de uma igreja pode ser o resultado do acaso, o que geralmente é um desastre; ou o produto de um trabalho propositado, planejado e diligentemente desenvolvido para que se leve a bom termo os intentos de Deus entre os homens. A seguir, verificar-se-á um conjunto de fatores que, fazendo parte ativa de qualquer comunidade de cristãos, redundará em fortalecimento naquilo pelo qual se pode identificar a saúde de uma igreja: seus relacionamentos.


Primeiro Fator: Apego À Bíblia Sagrada

O cristianismo é, essencialmente, um relacionamento entre Deus e os homens por meio de Jesus Cristo. Em todo relacionamento existe comunicação entre as partes envolvidas, o que não é diferente na relação do cristão com Deus, o qual tem muito o que comunicar. É por isso que Deus inspirou e conduziu homens na formação da Bíblia, livro que os cristãos acreditam ser fruto da revelação de Deus e que não “provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (II Pe 1.20,21). É através desta mensagem, que chegou por meio de homens escolhidos (profetas, apóstolos), que o Senhor orienta Seu povo ainda hoje; pois “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (II Tm 3.16,17). Enquanto o cristão se apega às Escrituras, ele tem sua mente iluminada e sua vida transformada. Como diz Foster, em relação ao Estudo das Escrituras Sagradas:

... o propósito central não é a pureza doutrinária (embora esta, sem dúvida, esteja envolvida) mas a transformação interior. Quando vamos à Escritura vamos para ser transformados, não para acumular informações. (1983, 88)

Esta transformação interior que advém da influência da Bíblia na vida do cristão, fará com que os relacionamentos interpessoais sejam melhor desenvolvidos, já que virtudes como o amor, paz, alegria, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22,23) são constantemente ensinadas, estimuladas e exemplificadas pelas narrativas e discursos bíblicos.
Além disso, a Bíblia judaico-cristã se tornou o maior instrumento de unificação entre os cristãos. Não haveria unidade se não houvesse uma crença única na Bíblia como a Palavra de Deus. Daí cada cristão ter a responsabilidade de estudá-la, buscar discernir o que é a verdade e vivenciar seus ensinos no âmbito da comunidade cristã. Quando se tem a mesma fé e as mesmas convicções, certamente haverá união e saudável interação. É por isso que o apego às Escrituras Sagradas é fundamental para a saúde nos relacionamentos interpessoais na igreja.

Próximo fator na postagem a seguir.